interrompo um pouco a rotina do cara piauí edição 2004 para fazer um brevíssimo comentário sobre medúlla, o novo album de björk que acabo de receber...
su-bli-me!!!
pra mim, um dos melhores trabalhos da islandesa pop que agora surpreende o mundo com um disco gravado basicamente com vozes...um disco para se ouvir repetidas vezes...falou-se em atmosfera angelical...e é exatamente essa ambiência que se experimenta. björk brinca com corais, vozes aborígenes, sons ancestrais, e uma língua estranha aos ouvidos desse lado de baixo do mundo ( como nas faixas vökuró, öll birtan e midvikudags que ela canta em seu idioma natal) e beats e basses que parecem dispersos mas que fazem parte de uma apurada orquestração. pura harmonia!...maravilhoso!
uma curiosidade é que björk, dentre outros estúdios around the world, gravou medúlla também no estúdio ilha dos sapos em salvador na bahia (lembram que ela esteve por aqui qdo o marido veio pro carnaval da bahia?..então?) e tem até o produtor e guitarrista half american/metade paraibano arto lindsay figurando na sua thanx list...bacana!
outra curiosidade é que a artista está usando roupas do brasileiro alexandre herchcovitch em suas imagens de divulgação...e aí eu acho um link pro nosso cara piauí...o estililista assina uma das camisetas criadas exclusivamente para o nosso evento!...marróia!!
20h30 - desfile das empresas grafitti, coopac e kempf com participação da modelo ellen jabour
21h00 - apresentação de set dj morcegão - (banda flagrante -pi)
08/out - sexta - ingressos limitados
19h00 - ambientação sonora (lounge) - dj dolores - (pe)
20h30 - desfile das empresas repris, lua crescente e via design (programa de capacitação do sebrae) com participação do ator alexandre slaviero
21h00 - apresentação de set dj dolores - (pe)
extra: durante o cara piauí serão comercializadas camisetas com estampas desenhadas por alexandre herchcovitch, walter rodrigues e amir slama (da griffe rosa chá) exclusivamente para o evento. a renda será doada para a apae-pi....bom não????
reprodução de matéria da jornalista helena katz para o jornal estado de são paulo:
Não só porque acontece tendo a misteriosa Pedra Furada e o imponente céu da caatinga por cenário, não só porque reúne a cada noite cerca de 1.200 pessoas sem familiaridade com a arte contemporânea em uma região regida a carências, mas sobretudo pela lição de que é a democratização do acesso que constrói cidadania sem nenhuma necessidade de qualquer outra contrapartida.
Poderia parecer precoce consagrar a importância de um evento ainda na sua segunda edição como o Interartes, o Festival realizado pela Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham) no Parque Nacional Serra da Capivara.
Todavia, as transformações já operadas demonstram que se trata de um exemplo em políticas públicas em curso hoje no país. A diversidade e abrangência da informação que faz circular através da precisa curadoria de sua diretoria artística, Lina do Carmo, que se efetiva graças à competência de Cris Buco e Elaine Ignácio, estão projetando uma nova imagem para o Estado do Piauí no contexto brasileiro, muito distanciada daquela da pobreza e do atraso com que habitualmente tem sido associado.
Evidentemente, o trabalho que as três desenvolvem no Pró-Arte Fumdham tem papel central nessa política de construção permanente de cidadania que vem sendo empreendida há mais de 30 anos pela atuação da Fumdham na região.
Realizado no Parque Nacional Serra da Capivara, o Interrtes é integralmente distribuído em tempo real para todo o Piauí e para parte do Maranhão e do Ceará pela TV Meio Norte, com flashes transmitidos pela TV Bandeirantes.
Comandada pela talentosa jornalista Maia Velloso, que consegue fazer com que 30 horas contínuas de programação ao vivo se transforme em um verdadeiro processo educacional moderno e renovador, essa transmissão comprova, com a sua exceção, quanto a TV brasileira se mantém omissa da contribuição cultural que deve ao País.
Vem, portanto, do interior do Piauí o modelo de ponta no relacionamento mediado pelo Estado entre a arte (financiada com o dinheiro público via Leis de Incentivo) e a TV (igualmente uma concessão pública).
Nesse novo perfil que o Interartes desenha para o Piauí, muito contribui o apoio do governador Wellington Dias (PT) à Fumdham e também as importâncias ações que a secretária Sônia Terra vem desenvolvendo lá, à frente da pasta da Cultura.
A maturidade política com que conduziu a polêmica surgida por conta da exibição do Samba do Crioulo Douido, de e com Luiz de Abreu, é um atestado de que o Piauí hoje se alinha com os outros Estados que já programaram a obra (São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco e Rio Grande do Sul) e não os preconceitos historicamente vinculados à miséria. Alias, nu e fazendo da bandeira brasileira uma extensão do seu corpo, Luiz de Abreu denuncia exatamente o preconceito contra o negro.
Patrocinado pelo Governo do Piauí, pela Telemar, pelo Sistema de Incentivo Estadual à Cultura (SIEC), pelos Ministério da Cultura e do Turismo, Caixa Ecônomica Federal e Petrobrás, o 2º Interartes condensou, durante cinco dias, 14 espetáculos no anfiteatro que construiu na Pedra Furada, dez oficinas com as crianças do Pró-Arte Fumdham, quatro palestras no Museu do Homem Americano e uma programação paralela diária no povoado São Pedro, com música, artesanato e gastronomia local.
O que singulariza o Interartes é exatamente o tipo de curadoria que Lina do Carmo realiza com notável agudeza para as misturas entre erudito popular, nacional e estrangeiro, local e global.
Ela consegue promover um equilíbrio singular entre a delicada poesia do teatro de imagens dos franceses da Compagnie Les Rémouleurs, o hilário show típico de cabaré comandado pelo excelente Paul Morocco, um Beethoven tocado debaixo da constelação de Escorpião pela pianista chinesa radicada na Alemanha PI-Hsien Cheng, que também toca a Arte da Fuga, de Bach, para Lina do Carmo dançar seu exercício de resistência em Fugitus, a cativante Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, a energia do Quasar dançando sem seu cenário habitual (e assim revelando qualidades até então encobertas da sua Coreografia para Ouvir), a bela intimidade compartilhada por João Negreiros em seu solo Marcas, um Brasil que ousa buscar outras formas para sua dança popular com Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira.
Sua programação ofereceu também duas jóias especiais: Sertão, a mais recente produção de Marcelo Evelyn, que nasce madura, sintetizando anos e anos de busca coerente; e a dança dos índios Crahós, do Rio Vermelho, trazidos do Tocantins para receber de votla o seu coiré.
A linda história é contada por Carminha, mineira com mais de 20 anos de convívio comos Crahós, em 1948, o etnólogo Harald Schultz trocou um revólver calibre 22 por esse coiré com um índio jovem da Pedra Branca, que desconhecia o valro sagrado dessa machadinha. Desde então, os Crahós vivem sem "o coração da tribo".
Mesmo atrás, a antrópologa Vilma Chiara, ex-orientadora de Lévy-Strauss, viúva de Schultz, procurou a companheira de pesquisa Niéde Guidon, fundadora e diretora-presidente da Fumdham, manifestando o desejo de devolver o coiré para os Crahós. E foi essa emocionante cerimônia de entrega que abriu o Interartes 2004.
Nessa mesma noite, as crianças do Pró-Arte Fumdham dançaram o Pacto Renovado, demonstrando quanto cresceram em somente um ano de trabalho. Não poderia haver escolha mais auspiciosa para deixar claro que a rea-lziação de cada Interartes promove exatamente isso: renova o pacto que possibilita ao Piauí provar que a arte consolida a cidadania porque é, ela mesma, uma ação social. (Helena Katz)
terminou que não escrevi sobre o "sacre"..mas eu adorei ter participado da produção de tão belo espetáculo!...marcelo mais uma vez demonstra sua surpreendente capacidade de desconstrução, sua intimidade com o novo, sua segurança no improviso...
terminou que não escrevi sobre a "lagarta pintada"...mas a flávia e a carla provaram mais uma vez que o negócio delas é festa boa!!...e muuuuuito boa meeesmo!!!...arrasaram!!
terminou que eu não escrevi sobre o "interartes"...mas eu fiquei embasbacado com a serra da capivara...com a produção do festival...com as atrações que tive a oportunidade de ver...adorei os lugares que conheci e os novos amigos que fiz...voltarei à capivara em breve..dessa vez a trabalho, pois o parque é tema da minha mais nova produção cenográfica (mas isso é assunto pra mais tarde)...e quer saber?..eu adorei a performance do bailarino paulista luís de abreu...achei super clara e precisa...a sua mensagem não poderia ter sido passada de outra forma senão daquela...e só!
terminou que estou vivo...depois desses dias todos sem escrever uma linha por aqui!...vivo e feliz!