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[ GUALBERTO JUNIOR ]

 


online

Sábado, Fevereiro 26, 2005



PAISAGEM






:: Publicado Por gualba :: 9:37 PM ::


Quarta-feira, Fevereiro 23, 2005



BALATETTA
mário faustino


por não ter esperança de beijá-lo
eu mesmo, ou de abraçá-lo,
ou contar-lhe do amor que me corrói
o coração vassalo,
vai tu, poema, ao meu
amado, vai ao seu
quarto dizer-lhe quanto, quando dói
amar sem ser amado,
amar calado.

beijai-o vós, felizes
palavras que levíssimas envio
rumo aos quentes países
de seu corpo dormente, rumo ao frio
vale onde vaga a alma
liberta que na calma
da noite vai sonhando, indiferente
à fonte que, de ardente,
gera em meu rosto um rio
resplandecente.

no sonolento ramo
pousai, palavras minhas, e cantai
repetindo: eu te amo.
ele, que dorme, e vai
de reino em reino cavalgando sua
beleza sob a lua,
encontrará na voz de vosso canto
motivo de acalanto;
e dormirá mais longe ainda, enquanto
eu, carregando só, por esta rua
difícil, meu pesado
coração recusado,
verei, nesse seu sono renovado,
razão de desencanto
e de mais pranto.

entretanto cantai, palavras: quem
vos disse que chorásseis, vós também?




:: Publicado Por gualba :: 2:23 PM ::






MINI-RELATÓRIO DE DIAS RUINS

na carne feridas e inchaços advindos do acidente que me fez entrar em estado de choque seguido de uma crise de choro com a cabeça repleta de imagens e lembranças comuns àqueles que estão à beira da morte. trauma. no peito além dos hematomas causados pelo violento esforço do cinto de segurança em me preservar a vida a dor de mais um acidente - aquele que faria murchar as flores do jardim recém-nascido. lembranças amargas de palavras atiradas ao vento do hálito envenenado. palavras transportam desejos. carros transportam homens. foram dois acidentes. um igual ao outro similares em violência e intensidade. foram dois corpos que invadiram-se (um invadiu o outro des-relativamente) chocaram-se machucaram-se e agora encontram-se recolhidos concentrados em suas próprias recuperações. pausa para o choro quieto e íntimo. pausa para o medo das perdas e dos danos. pausa para a espera na sala de espera daquele lugar que mistura o cheiro do éter da cura com o cheiro daquilo que já parece desenganado sem volta morto... pausa para a esperança de que tudo não passou de um grande susto.




:: Publicado Por gualba :: 1:04 PM ::


Terça-feira, Fevereiro 22, 2005



COGITO
torquato neto



eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.


_____________________________________________________________

..."a inocência não é desculpa. é preciso perder a inocência de vez.
estou te esperando."...

_____________________________________________________________




:: Publicado Por gualba :: 3:10 PM ::


Quinta-feira, Fevereiro 17, 2005



O

:: Publicado Por gualba :: 12:52 PM ::



 

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