AND IT RAINED ALL NIGHT...
i can see you
but i can never reach you
o mesmo vinho....a mesma saudade...ainda chove em mim.
etéreo, o álcool me invade as narinas...desce pela goela em rubro golpe...escapa-se volátil....avermelha-me as faces.
esquenta o coração, e no calor dissipa as geleiras da distância. torna o que parece intocável em quente e pulsante presença.
invade o corpo por dentro, reacende brasas íntimas.
o hálito desenha formas sensuais no ar. vermelhas.
e as formas desenham-se em outras formas. caleidopúrpuras. agora tudo está claro. palpável. enxergo-te na vermelhidão do olhar vencido. aqueço-me em tua brancura. eu, vermelho.
eu vermelho.
[e o sexo que nunca houve. e o beijo que nunca estalou. e as línguas que nunca chuparam-se e os olhos que nunca cerraram-se em êxtase. e as mãos que nunca tocaram as partes famintas. e os paus que estremeceram sem tampouco lamber-se.]
e o vento que soprava. era a chuva que caía. e os olhos. os olhos vermelhos. a tensão nos hálitos. o silêncio. e a confusão. eram os sexos. eram os desejos. fuzilavas-me com teu olhar silencioso, mas não calado. queria ter me jogado todo na tua boca. como aquele gole que tragaste enquanto devoravas-me a alma. desejei ter te engolido. ter te sorvido em meus líquidos pépticos. meus ácidos teriam desenhado mandalas multicoloridas com tuas nuances. teus tons. lisérgicas curvas de ti. o vermelho de tua boca carnosa. o vermelho de teus olhos. o negror de tua cabeleira suave e perfumada. teus pêlos saindo dos shorts. queria ter tecido mantos de delícias com todos eles. eu penélope. tu, ainda não ulisses. nada de jornadas. não havia espaço para épicas paisagens. era carne. vermelha. era vinho... encarnado.